Nem sempre se reflete bastante sobre a advertência de Jesus: “A quem muito foi dado, muito será pedido” (Lc 12,48). O ser humano vive inundado nos dons divinos: a existência, a família, os amigos, as qualidades físicas, intelectuais e morais, os bens materiais, a conservação da vida, as numerosíssimas graças espirituais, o perdão diuturno, enfim, um oceano de dádivas. Não se deve desperdiçar impunemente tudo que se recebe do Criador. O notável psicólogo francês René Le Senne, com muita razão, afirmou que todos possuem qualidades inestimáveis.
A má administração dessas qualidades gera os defeitos por não se procurar o equilíbrio psicossomático. Célebre o dito de Sócrates, filósofo grego: “Conhece-te a ti mesmo”. Cada um tem um perfil caracterológico bem determinado e precisa colocar seus dotes a serviço próprio e dos outros. Um dos mais lamentáveis erros é o da baixa autoestima, fruto da depreciação das próprias habilidades, o que concebe a inveja. Disso resulta, outrossim, a ingratidão para com Deus, não Lhe agradecendo os bens recebidos. Lembra São Tiago: “Toda dádiva perfeita vem do alto, descendo do Pai das luzes” (Tg 1,16). Eis por que diz o Livro do Eclesiastes: “Que alguém coma e beba e goze do seu trabalho é dom de Deus” [...] E quem recebeu de Deus riquezas e bens e a possibilidade de gozar deles, desfrutar-lhes a sua parte e alegrar-se entre os seus cuidados, também isso é dom de Deus! (Ec 3,13. 5,18).
O Espírito Santo comunica carismas especiais aos seguidores de Cristo, como São Paulo enumera em suas várias cartas. O dom da profecia, que é a capacidade peculiar de denunciar os erros, o dom do serviço, do ensinamento, da coragem, da generosidade, da misericórdia, do discernimento dos espíritos. As diversas pastorais oferecem oportunidade para o exercício e desenvolvimento dessas capacidades colocadas para o bem do próximo. Cada um, além disso, tem uma vocação específica e nas diversas profissões pode e deve trabalhar para si e para os outros. Como diz o ditado, é preciso sempre “o homem certo no lugar certo”.
As capacidades humanas, porém, se desenvolvem como Deus previu para cada um, quando se confia inteiramente n'Ele, pedindo-Lhe força para bem executar as tarefas cotidianas. Cumpre fazer bem, com todo o empenho, a ocupação de cada instante e, aliás, sábia a diretriz “Age quod agis”, do poeta grego Xenofanes. Não se mede nem se avalia uma existência pelo número de anos, nem pelo período histórico, mas, sim, pela vivência plena e intensa, repleta de ações que perenemente repercutirão. Bem afirmou Vieira: “Nem todos os anos que passam se vivem: uma coisa é contar os anos, outra é vivê-los”.As ações são, em verdade, os dias e é por elas que têm valor os anos, sempre cada um se lembrando de que “a quem muito foi dado, muito será pedido”. O viver em plenitude cada instante é o segredo da verdadeira vida. O importante é viver bem, cultivando os dons recebidos de Deus. Eis porque Horácio, poeta latino, lançou esta sentença: “Carpe diem, quam minimum credula postero” – aproveita o dia presente e não queiras confiar no de amanhã. Escrivá dá este conselho: “Que a tua vida não seja estéril. Sê útil. Deixa rasto”. Goethe dá o motivo: “Cada momento, cada segundo é de um valor infinito, pois ele é o representante de uma eternidade inteira”. Ideia já expressa por Apuleio: “tempus aevi imaginem” – o tempo é a imagem da eternidade.
Virgílio advertiu que não se pode dissipar o tempo: “Fugit irreparabile tempus” – foge o irreparável tempo. Razão teve Riminaldo ao escrever: “Há quatro coisas que não voltam atrás: a pedra, depois de solta mão; a palavra, depois de proferida; a ocasião, depois de perdida; e o tempo, depois de passado”. Tudo isso merece uma reflexão profunda, pois cada um de nós dará um dia contas a Deus do tempo e das dádivas d'Ele recebidos e Jesus alertou “a quem muito foi dado, muito será pedido”.
22 de janeiro de 2012
O amor tem seu tempo. Sonhos são muito bonitos nas novelas; na vida real, os caminhos não são prontos
A urgência dos nossos dias nos faz pensar exatamente na urgência do amor. Quando o sentimento se faz presente entre duas pessoas é muito comum a necessidade imediata de dizer: “Eu te amo”. Algumas pessoas dizem: “Que loucura! Isso não é amor”; outras afirmam: “Pra que esperar, eu amo e digo!”.
Avaliar nossos sentimentos e todas as implicações que ele envolve também nos faz pensar que os caminhos para o amor nunca são ou estão prontos, mas certamente, passam por nossa maturidade.
A maturidade biológica nem sempre está relacionada à maturidade psicológica. As expectativas dos pais nem sempre serão concretizadas nos desejos dos filhos. Da mesma forma, o que foi vivido no passado nem sempre será válido para as experiências atuais.
Os gregos diziam que amor é “uma questão de despertar para a vida” e, com isso, nem todos despertam ao mesmo tempo, nem esperam as mesmas coisas ou se satisfazem com as mesmas coisas.
Quando se acelera o processo do amor, muitas vezes, se “mata” esse sentimento. É por isso que as pessoas não podem se casar porque os pais delas se admiram, porque as famílias se dão bem ou porque o (a) namorado (a) tem ou não tem um status, ou um tipo de estudo.
Amor requer tempo, conhecimento, – reconhecimento do que gosto ou não –, das minhas limitações e da limitação do outro.
Amor é como uma construção: escolhe-se o terreno, as fundações e a base para que a obra seja realizada, os tijolos vão sendo colocados um a um, até que a casa seja coberta e todo o acabamento interior seja feito. Depois virão os jardins, os detalhes, os cuidados.
E é por isso que o amor não pode ser urgente: uma casa feita às pressas, com material de qualidade inferior, tende a cair antes do tempo. Imaginem se os tijolos desta casa, que é o amor, forem assentados com areia e água?
Sonhos são muito bonitos nas novelas, mas, na vida real, os caminhos não são prontos. Os caminhos de um casal se fazem pela descoberta das alegrias e das tristezas que os dois podem viver. Estes se fazem ainda pela capacidade de reconhecer no outro aquele que me faz feliz, mas não apenas a única pessoa do mundo que me faz feliz, mas que me completa em parte da vida, que é muito mais do que apenas uma pessoa ou um único motivo.
“Quem quer o amor precisa dar tudo o que tem para possuí-lo (Mt 13,44)” e é por isso que o amor exige dedicação e decisão.
Se você ainda não está pronto para isso, pense se não é tempo de se autoconhecer para conviver com o amor, mas também não espere que esteja 100% pronto para vivê-lo, pois a perfeição não existe, ainda mais quando falamos de seres humanos.
E lembre-se: para tudo existe um tempo: amor, afetividade, sexualidade, cada um deve e precisa acordar em seu tempo, até mesmo para que as experiências fora do tempo e erradas não se tornem marcas negativas no futuro
Avaliar nossos sentimentos e todas as implicações que ele envolve também nos faz pensar que os caminhos para o amor nunca são ou estão prontos, mas certamente, passam por nossa maturidade.
A maturidade biológica nem sempre está relacionada à maturidade psicológica. As expectativas dos pais nem sempre serão concretizadas nos desejos dos filhos. Da mesma forma, o que foi vivido no passado nem sempre será válido para as experiências atuais.
Os gregos diziam que amor é “uma questão de despertar para a vida” e, com isso, nem todos despertam ao mesmo tempo, nem esperam as mesmas coisas ou se satisfazem com as mesmas coisas.
Quando se acelera o processo do amor, muitas vezes, se “mata” esse sentimento. É por isso que as pessoas não podem se casar porque os pais delas se admiram, porque as famílias se dão bem ou porque o (a) namorado (a) tem ou não tem um status, ou um tipo de estudo.
Amor requer tempo, conhecimento, – reconhecimento do que gosto ou não –, das minhas limitações e da limitação do outro.
Amor é como uma construção: escolhe-se o terreno, as fundações e a base para que a obra seja realizada, os tijolos vão sendo colocados um a um, até que a casa seja coberta e todo o acabamento interior seja feito. Depois virão os jardins, os detalhes, os cuidados.
E é por isso que o amor não pode ser urgente: uma casa feita às pressas, com material de qualidade inferior, tende a cair antes do tempo. Imaginem se os tijolos desta casa, que é o amor, forem assentados com areia e água?
Sonhos são muito bonitos nas novelas, mas, na vida real, os caminhos não são prontos. Os caminhos de um casal se fazem pela descoberta das alegrias e das tristezas que os dois podem viver. Estes se fazem ainda pela capacidade de reconhecer no outro aquele que me faz feliz, mas não apenas a única pessoa do mundo que me faz feliz, mas que me completa em parte da vida, que é muito mais do que apenas uma pessoa ou um único motivo.
“Quem quer o amor precisa dar tudo o que tem para possuí-lo (Mt 13,44)” e é por isso que o amor exige dedicação e decisão.
Se você ainda não está pronto para isso, pense se não é tempo de se autoconhecer para conviver com o amor, mas também não espere que esteja 100% pronto para vivê-lo, pois a perfeição não existe, ainda mais quando falamos de seres humanos.
E lembre-se: para tudo existe um tempo: amor, afetividade, sexualidade, cada um deve e precisa acordar em seu tempo, até mesmo para que as experiências fora do tempo e erradas não se tornem marcas negativas no futuro
O poder de Deus é soberano sobre a nossa vida
O Senhor quer nos ensinar que para acontecer o “Eu e minha casa serviremos ao Senhor” é preciso, de nossa parte, uma contínua ação de “reagir” ao pecado, à tentação, às forças do mal. Talvez pensemos que a nossa posição seja defensiva, mas o Senhor vem nos ensinar o contrário. Nossa atitude deve ser de reação, precisamos reagir firmes, reagir na fé. São Pedro nos exorta:
“Sede sóbrios, vigiai! Vosso adversário, o diabo, como um leão que ruge, ronda, procurando a quem devorar. RESISTI-LHE, FIRMES NA FÉ” (1Pd 5,8-9a).
Vencemos o demônio resistindo-lhe firmes na fé. “Firmes na fé” significa acreditar na vitória do Senhor em nós. Sabemos da nossa fraqueza, de nossos pecados e da facilidade com que erramos. Pecamos. Resvalamos. Mas o Senhor é fiel e poderoso. O poder de Deus é soberano sobre nós, sobre a nossa vida.
Deus o abençoe!
“Sede sóbrios, vigiai! Vosso adversário, o diabo, como um leão que ruge, ronda, procurando a quem devorar. RESISTI-LHE, FIRMES NA FÉ” (1Pd 5,8-9a).
Vencemos o demônio resistindo-lhe firmes na fé. “Firmes na fé” significa acreditar na vitória do Senhor em nós. Sabemos da nossa fraqueza, de nossos pecados e da facilidade com que erramos. Pecamos. Resvalamos. Mas o Senhor é fiel e poderoso. O poder de Deus é soberano sobre nós, sobre a nossa vida.
Deus o abençoe!
19 de janeiro de 2012
Poço de Sant‘Ana de Caicó: História e Mitos de Origem
Apesar das diferentes versões míticas, a fundação de Caicó emerge com referências e protagonistas comuns: o vaqueiro, o touro, um poço e Sant’Ana. O imaginário local teceu-os em um belo roteiro elaborado coletivamente. Uma das interpretações dá conta de que no sertão seridoense possivelmente existiu a tribo dos Caiacós que, mesmo derrotada nas Guerras dos Bárbaros, julgava-se invencível pelo amparo de Tupã, espírito encarnado em um touro bravio, que habitava um mofumbal que se espalhava sobre o local onde hoje é a cidade. Um vaqueiro que se embrenhara no mofumbal depara-se com o bravio touro tapuia. Vendo-se em perigo, o vaqueiro recorreu a Sant’Ana prometendo-lhe erigir uma capela se ela o salvasse do animal possesso.
Atendido o pedido, o vaqueiro iniciou a construção do templo. Era um ano de grande seca, e a única forma de abastecimento de água era um poço às margens do Rio Seridó. Diante da escassez de água, o vaqueiro fez nova promessa a Sant ‘Ana para que o poço não secasse. Daí em diante, o local passou a ser conhecido como Poço de Sant’Ana.
Outros mitos narram a existência de mais seres fantásticos. Em um deles uma bela sereia que habita o fundo do Poço sairia ao pôr-do-sol para pentear sua longa cabeleira nos lajeiros que emolduram a porção d’água.
Um mito mais dramático complementa o combate entre Tupã e o vaqueiro, contando que o espírito do deus índio, ao ser expulso do touro, teria tomado a forma de uma serpente gigante que se abriga nas águas do poço, ameaçando destruir a cidade se algum dia o poço secasse, ou se o rio transbordasse e as suas águas atingissem o altar-mor da igreja matriz.
Eivado pelo imaginário mestiço da região, o Poço de Santa’Ana foi por muitos anos a principal fonte de abastecimento de água para a cidade, fosse para fins domésticos ou de construção.
O lugar decantou também a enérgica resistência popular quando em Caicó um grupo de pessoas, na revolta ”Quebra-Quilos”, em 1873, contra a adoção do sistema métrico-decimal no Império, atirou ao poço quilos de pesos metálicos.
Atualmente o Poço de Sant’Ana encontra-se poluído e quase assoreado, reclamando uma ação que salve sua fauna e flora reais e fantásticas.
Histórico - PARTE II
Nas cercanias da cidade de Caicó encontra-se a diversidade característica do semi-árido, com sua flora bastante peculiar e com a sua geografia acidentada, formada por morros e serrotes que aparecem vistosos com suas rochas expostas e dispostas de maneira bastante atraente, além de ser refúgio de pequenos lagartos e roedores da fauna local. Na nossa região, tais locais sempre foram carregados de um certo misticismo, dando margem a devoções populares que se manifestam em pequenos ou grandes gestos de fé; é raro não haver um local assim nas cidades da região. Tais manifestações se traduzem principalmente na construção de cruzeiros, notória alusão ao Calvário, onde foi supliciado Jesus Cristo. Em Caicó, bem próximo ao rio Seridó, encontra-se o Serrote da Cruz, com uma história reveladora das práticas devocionais populares. Segundo Monteiro (1944), foi erguido um cruzeiro naquele local em 1901, com a finalidade de comemorar a passagem do século, no paroquiato do Pe. Emilio Cardoso. A cruz primitiva foi antes colocada numa pequena ilha do rio Seridó em 01/01/1901, somente quando o pedestal foi concluído é que ela foi fincada no dito serrote. Em 1940, em cumprimento a uma promessa do Sr. Inácio Nóbrega, conhecido por Inácio Caritó, foi construída, “com auxílios públicos”, uma pequena capela sob a invocação de São Sebastião, o santo protetor, contra a peste, a fome e a guerra. A capelinha foi inaugurada a 29 de setembro de 1940, às nove horas da manhã.
Em 1966 a construção desabou, haja vista a sua fragilidade sob ação das intempéries. Então, os devotos e moradores das proximidades ergueram um galpão de pedra para preservar o local sagrado. O passar dos anos provocou o sentimento de preservação da memória nos moradores das proximidades do rio, devotos de São Sebastião e do Serrote da Cruz, lastimosos com o estado em que se encontrava o local. Assim, houve uma mobilização de um grupo liderado por Luíza Vale de Castro, Maria do Rosário Vale e “Magão”, que se propuseram, com recursos próprios e doações de benfeitores, revitalizar o Serrote da Cruz, reconstruindo a Capela e deixando-a em condições propícias às suas práticas devocionais. Os trabalhos foram iniciados em 01/04/1989 e foram concluídos no dia 20/01/1990, Festa de São Sebastião, celebrada com muito júbilo. Posteriormente, em cumprimento a uma promessa, o Sr. Jorge Diniz fez a doação da estátua de São Sebastião que foi colocada na lateral da Capela.
VIVA SÃO SEBASTIÃO, NOSSO PROTETOR!
Breve histórico da Capelinha de São Sebastião do serrote da Cruz
A Capela de São Sebastião fica na Ilha de Sant’Ana, mas especificamente no Serrote da Cruz, e é cheia de histórias de práticas religiosas. Uma cruz primitiva foi colocada na ilha do rio Seridó primeiramente, depois foi trasladada para o Serrote, daí o nome Serrote da Cruz. Por conseguinte foi construída uma capela sob a inovação de São Sebastião, a partir de doações dos poderes públicos. A capelinha foi inaugurada em 29 de setembro de 1940, mas devido a sua fragilidade, não conseguiu resistir à ação do tempo, vindo a desabar em 1966.
Então, os devotos e moradores das proximidades ergueram um galpão de pedra, visando a preservação do local tido como sagrado. Com o passar do tempo, um grupo de pessoas, usando de recursos próprios e doações de benfeitores, reconstruíram a capela do serrote da cruz, possibilitando a realização de práticas religiosas no local. Os trabalhos tiveram início em primeiro de abril de 1989, sendo concluídos no dia 20 de janeiro de 1990, dia dedicado a São Sebastião. A capela existe até hoje, e com a urbanização da ilha de Sant’ana, a capelinha ganhou um espaço privilegiado, onde as visitas dos devotos do santo aumentaram, devido a facilidade em seu acesso. A partir da capela se tem uma vista privilegiada do centro da cidade e também da Ilha de Sant’Ana.São Sebastião, rogai por nós!
De acordo com Actos apócrifos, atribuídos a Santo Ambrósio de Milão, Sebastião era um soldado que teria se alistado no exército romano por volta de 283 d.C. com a única intenção de afirmar o coração dos cristãos, enfraquecido diante das torturas. Era querido dos imperadores Diocleciano e Maximiliano, que o queriam sempre próximo, ignorando tratar-se de um cristão e, por isso, o designaram capitão da sua guarda pessoal, a Guarda Pretoriana. Por volta de 286, a sua conduta branda para com os prisioneiros cristãos levou o imperador a julgá-lo sumariamente como traidor, tendo ordenado a sua execução por meio de flechas (que se tornaram símbolo constante na sua iconografia). Foi dado como morto e atirado no rio, porém, Sebastião não havia falecido. Encontrado e socorrido por Irene (Santa Irene), apresentou-se novamente diante de Diocleciano, que ordenou então que ele fosse espancado até a morte. Seu corpo foi jogado no esgoto público de Roma. Luciana (Santa Luciana, cujo dia é comemorado em 30 de Junho) resgatou seu corpo, limpou-o, e sepultou-o nas catacumbas. Existem inconsistências no relato da vida de São Sebastião: o edito que autorizava a perseguição sistemática dos cristãos pelo Império foi publicado apenas em 303 (depois da Era Comum), pelo que a data tradicional do martírio de São Sebastião parece precoce. O simbolismo na História, como no caso de Jonas, Noé e também de São Sebastião, é visto, pelas lideranças cristãs atuais, como alegoria, mito, fragmento de estórias, uma construção histórica que atravessou séculos.
Tal como São Jorge, Sebastião foi um dos soldados romanos mártires e santos, cujo culto nasceu no século IV e que atingiu o seu auge na Baixa Idade Média, designadamente nos séculos XIV e XV, tanto na Igreja Católica como na Igreja Ortodoxa. Embora os seus martírios possam provocar algum ceticismo junto dos estudiosos atuais, certos detalhes são consistentes com atitudes de mártires cristãos seus contemporâneos.
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